Começou, na verdade no GP da Bélgica, a reta final da temporada. A corrida de hoje, o GP da Itália, foi uma prova na qual não se podia errar. Hamilton o fez, só faltou sentar sobre o resultado. Ainda na primeira volta, na segunda chincane para ser mais preciso, enroscou-se com Massa, quebrou a barra de direção e passou reto. Brita para ele, local onde podem ter ficado, também, as chances de conquistar o campeonato. Poderia, facilmente, ter conquistado um quarto lugar, dado o rendimento horroroso em corridas da Mercedes este ano. Sofreu demais para que, uma equipe que fora campeã ano passado, um de seus pilotos assumisse o sétimo (!) lugar no campeonato; como fez Rosberg hoje.
A Red Bull perdeu terreno nestas etapas. Vettel, ainda, fez uma lambança sem tamanho na Bélgica e tirou de Button pontos importantes no campeonato. O inglês está hoje a 22 pontos atrás de Webber, quando poderiam ser menos de 15. Quem vem perto, porém sem ter pontuado na Bélgica também, é Fernando Alonso. Pouco a pouco o espanhol vem colocando Massa no bolso, justificando o investimento milionário que o patrocinador da Ferrari fez no início do ano. Assim como fazia Prost com seus companheiros de equipe, Alonso é constante e duríssimo na hora de ser ultrapassado - que o diga Massa hoje na largada.
Na McLaren, a paz reina, apesar de dois pilotos estarem brigando metro a metro pela ponta. Estranhamente, ainda não houve rusga que justificasse Ron Dennis arrepender-se de algo na escolha dos pilotos para este ano. Excessão feita no GP da Turquia, quando os dois trocaram tinta em plena reta dos boxes, resultado de uma comunicação errada do pit lane. Fora isso, não houve uma disputa direta por posições em provas.
No pelotão intermediário, a Williams vem crescendo. Porém, ainda longe de incomodar Kubica e sua Renault. Os franceses resolveram abrir o cofre esse ano e deram ao polonês um carro melhor do que deram a Alonso ano passado. Vitaly Petrov, que vinha com posição ameaçada pela falta de pontos, veio com uma boa sequência de provas e pode ficar na equipe ano que vem. A BMW Sauber fica com Kobayashi e deve fazer alguma homenagem a Pedro de la Rosa no último GP da temporada. Na STR, a dupla fica mais um ano. Não há motivos para troca de pilotos jovens por outros mais jovens, apesar de Buemi e Alguersuari serem muito, mas muito inconstantes. Na Force India, Sutil rouba a cena, enquanto Liuzzi pouco é mencionado até mesmo no Twitter oficial da equipe, o @clubforce.
No fim do grid, a Lotus aproxima-se mais das equipes estabelecidas, trazendo consigo a Virgin, do sempre correto Lucas di Grassi. A Hispania... Sem comentários. Trocaram Karun Chandhok por Sakon Yamamoto pelo dinheiro e deixam Bruno Senna a pé pelo em, no mínimo, umas 3 vezes por final de semana. A FIA desta vez acertou a mão e não abriu a 13ª vaga. A Epsilon Euskadi, favorita, nem orçamento para as quatro primeiras provas tinha. Para o ano que vem, Virgin e Lotus devem manter suas respectivas duplas de pilotos. Os malaios, porém, devem fechar com a Renault como fornecedora de motores.
São 125 pontos em jogo, restando 5 provas para o final. Até o GP de Cingapura, uma pista que consegue castigar os freios mais do que a pista de Montreal.
Pela classificação, tinha-se a ideia de que a corrida seria uma procissão da Red Bull em briga particular na ponta, com Alonso sendo o primeiro do resto. Massa, novamente, tomou tempo do companheiro e largou em quarto. O que se viu a partir da primeira volta na corrida de hoje foi o quão imprevisível pode ser o GP húngaro (para azar das minhas apostas no BRV).
Webber largou no lado sujo da pista e perdeu a segunda posição para Alonso. Vettel despencava na frente, abrindo quase um segundo por volta, tamanha a disparidade da Red Bull para o resto do grid. Tudo ia correndo como o alemão previa, até a entrada do safety car. Neste ano a manobra de segurança dos diretores de prova vem trazendo graça a corridas que não têm nada de especial. Liuzzi perdeu parte do bico pela pista. Vettel, temendo dar uma volta inteira atrás do carro madrinha, cortou o "meio fio" da entrada dos boxes e saiu na frente. Webber, surpreendendo muita gente, não parou e ficou com pneus macios. Com o calor que fazia, ninguém acreditava que fossem durar 42 (!) voltas. Hamilton voltou à frente de Massa na parada, mas um problema em sua McLaren o impediu de defender a liderança do campeonato. Com todo o movimento no pit lane, ia sobrar para alguém. Sutil, ao entrar nos boxes, foi atingido por Kubica, que recebeu a ordem de sair dos boxes na hora errada. O polonês ainda foi punido com um stop and go, abandonando logo depois. Rosberg, que vinha de boa largada, foi tirado da prova pela Mercedes, que não apertou bem a porca da roda traseira direita. Para evitar uma punição como a da Renault no ano passado, Nico estacionou na saída dos boxes.
Antes da relargada, a manobra polêmica: Vettel, ainda na reta do boxes, deixou que o safety car e Webber abrissem mais de 10 carros de vantagem na pista. Não contente, ajudou Webber, permitindo que o australiano fizesse as duas últimas curvas sozinho. Sebastian Vettel foi punido com um drive thru, mas voltou à frente de Massa, que não teve um bom ritmo de prova hoje. Ao pagar a punição, jogou para a torcida, esbravejou e, ao se preparar para o pódio, discutiu com um membro da FIA. De cabeça quente e uma enorme tromba, não estourou a champagne em direção a Alonso e Webber, bebendo-a logo depois de abrir. Um certo momento a la Raikkonen.
Estranho é como Jenson Button perdeu-se nas últimas provas. O inglês começou o ano bem, liderava o campeonato até pouco tempo e simplesmente sumiu. Um mal que acometia muito David Coulthard na época que era companheiro de Mika Hakkinen assombra o atual campeão. Um oitavo lugar pífio, sem brilho, fruto de uma boa largada apenas e dos bloqueios por toda a prova sobre Kamui Kobayashi. O japonês merece um carro melhor no ano que vem, tomara que a BMW Sauber continue a melhorar o carro, apesar do pequeno orçamento. No final do pelotão, Bruno Senna conseguiu terminar à frente de Lucas Di Grassi, ainda muito longe da Lotus, a melhor das pequenas disparado. Sakon Yamamoto foi a chincane ambulante da corrida; o que o dinheiro não faz?
No final da prova, Rubens Barrichello foi devidamente espremido por Michael Schumacher na reta dos boxes. O alemão foi punido com a perda de 10 posições no GP da Bélgica, daqui a quatro semanas. Essa história de que Rubens arrepende-se do passado é bobagem. Fica a ver se realmente a promessa de não deixar mais que Schumacher o passe na pista seja revertida em realidade. A FIA não admitiria novas fechadas da forma que essa aconteceu. Barrichello acabou ficando com o 10º posto e o último ponto da prova, mas a ultrapassagem deixou meio mundo de cabelo branco. Como disse o próprio brasileiro após a prova, "ainda bem que o muro acabou".
Corrida agora só daqui a quatro semanas. GP da Bélgica em Spa-Francorchamps, onde costuma chover nesta época do ano.
Fiquem com a classificação atualizada do campeonato (fonte: www.formula1.com).
Poderíamos estar comentando o final do GP da Alemanha com uma vitória de Massa, segurando o ímpeto de Alonso e Vettel, como poderíamos estar comentando a vitória de Alonso, com alguma ultrapassagem forçada/espetacular sobre o companheiro de equipe. Mas, não. Estamos dentro da F-1, de novo, vivendo uma crise de lisura e ética nas corridas.
Uma categoria que vinha se recuperando o escândalo de Cingapura-2008, da forma como a família Piquet resolveu cuidar do assunto junto a Flavio Briatore. Que, neste ano, viu brigas abertas entre companheiros de equipe na Turquia. Duas, por sinal. Na Red Bull, todos culparam a equipe por não enfiar a colher no meio e controlar seus comandados; um caso que ambos tiveram sua parcela de culpa. Na McLaren, o pessoal da mureta enfiou o pé pelas mãos e quase devolveu a vitória a Webber. Depois do erro cometido, tratou de acalmar Hamilton e Button ordenando que ambos abaixassem seus respectivos giros do motor.
A forma como a Ferrari fez a troca foi desastrosa, com a discrição de quem deixa cair uma bandeja de cristais no meio do salão. Rob Smedley, coitado, viu-se obrigado a pedir desculpas a Massa. Felipe, pior, assumiu a culpa de uma decisão que não fora dele. Tem-se o agravante, ainda, da quantidade de pontos em jogo no campeonato. São meros 200, isso mesmo, 200 pontos a oito provas do final. Massa tem, após o GP alemão, 72 pontos de desvantagem para Webber, sexto colocado hoje. Alonso tem menos 34. Qual a diferença de 34 para 41 pontos com 200 em jogo? Com três equipes revezando-se na frente a cada prova, numa categoria que a vitória dá 25 pontos? Seria o mesmo que pensar em uma troca de posições na NASCAR entre o primeiro e segundo lugares, onde a diferença entre campeão e vice ao final da temporada pode chegar às centenas de pontos, mesmo com o sistema de playoffs.
Felipe Massa hoje, exatamente um ano após a mola do carro de Barrichello ter saltado bem à sua frente atingindo o capacete, perdeu o crédito que conquistou junto à torcida brasileira em quase cinco temporadas completas como piloto titular da Ferrari. As caras do piloto após a corrida, como na festa do pódio, podem sugerir muito. A mais latente delas: "serei taxado como um novo Barrichello no Brasil". Virão as gozações, o descrédito. Alguns chegaram a bradar via Twitter a revenda dos ingressos antecipados do GP do Brasil em boicote à atitude dos italianos. Não irá ocorrer, nem ao menos a queda das ações ou lucros do patrocinador principal; espanhol, diga-se de passagem. Em que pese, não que seja fator preponderante, um dos diretores do maior patrocinador da equipe estava nos boxes italianos assistindo à prova. Dois momentos distintos ficam claros: quando Felipe está à frente antes da primeira parada, o senhor calvo com a camisa do patrocinador gesticula horrores reclamando; na última volta da prova, aparece sorrindo de mãos dadas a parentes/amigos. Como era na época de Schumacher, quando um verdadeiro caminhão de dinheiro fora despejado em sua contratação e pagamento de salários, deseja-se ver na frente o piloto razão do investimento.
No final das contas, ficamos com a cara de pastel da dupla vitoriosa no pódio. Num pódio que Stefano Domenicali, o mesmo que reclamou publicamente do desempenho do carro projetado esse ano no começo da semana, não teve a coragem de participar. Assim como os italianos fizeram na Áustria-2002, quando um dos engenheiros da equipe foi jogado aos leões em meio às vaias do público na reta principal.
A equipe Ferrari foi multada em US$ 100 mil e o caso será levado ao Conselho Mundial em Paris para decisão. Em caso recente, quase baniram a Renault por terem deixado um pneu solto no carro de Alonso.
Prezado Jean Todt, não poderíamos esperar nada diferente de você.
A equipe italiana se defende, dizendo que foi de Massa a decisão de deixar Alonso passar. Que a FIA puna logo, isso já está ficando patético.
Via Twitter, chega a informação de que a Ferrari seria punida por uma asa traseira flexível e não pelo jogo de equipe. Assim, excluem-se ambos os pilotos da prova.
Fato levantado por @F1grid via Twitter e, por achar ser culpa do meu sono, percebi: a Force India trocou os pneus de Sutil após a rodada, deixando macios na frente e duros na traseira. Esse GP da Alemanha está mais para final da Copa 2010 em termos de controle de regras do que para corrida de F-1.
David Coulthard: "Essa regra de ordem de equipe deve ser revista." Detalhe: agora o ex-eterno segundo piloto da McLaren é cartola da Red Bull.
Eddie Jordan: "Foi um roubo." Assim como roubaram o Ralf em Spa ao não o deixarem ultrapassar Hill.
Niki Lauda: "Vergonha."
Christian Horner: "Foi claramente ordem de equipe."
E mais outras sendo publicadas. Sinceramente, duvido que alguém dirá o contrário. Como duvido que alguém o faria diferente. Infelizmente, nesse negócio que é a F-1, o lado desportivo ficou bem longe.
Sozinho na sala com os comissários, Rob Smedley tem que explicar o "magnânimo" dito a Massa no rádio a após a corrida. Se o engenheiro achou tudo isso, está explicado o pedido de desculpas na volta seguinte à ultrapassagem de Alonso. Danny Sullivan, um piloto mediano na F-1 e de muito sucesso na F-Indy, tem a chance de cravar de vez o nome na categoria.
Massa e Alonso, segundo a repórter Vanessa Ruiz, saíram a pouco da torre de comando. Nada disseram aos comissários. Em uma situação dessas, se a FIA não aplicar punições, pode fechar tudo e voltar para casa.
Já dura mais de 20 minutos a conversa com os comissários. Será que Jean Todt punirá a ex-equipe? Aliás, ele foi um dos precursores deste tipo de atitude, lá no Rali Paris-Dakar de 1991 pela Peugeot.
No Canadá, uma briga na largada que tira de Massa a chance de uma boa posição. Em Valência, o safety car encarregou-se de estragar a corrida do brasileiro, o qual, verdadeiramente, não conseguiria mais do que um quinto lugar. Na Inglaterra, a Red Bull pisa na bola com Webber no sábado e toma o troco no domingo. Na largada novo enrosco de Massa, desta vez tendo o pneu furado em briga com Alonso.
Hoje foi perfeito. Na largada, contanto com a usual "ajuda" de Vettel em momentos de pressão, Massa assumiu a ponta. Alonso, espremido pelo jovem alemão, ainda saiu no lucro com a segunda posição. Lá atrás, Barrichello fazia má largada, ao contrário de Bruno Senna e Lucas Di Grassi. Na primeira metade, Massa revezava-se com o espanhol na marcação de voltas mais rápidas, construindo uma vantagem segura para Vettel, Hamilton e Webber. Na parada para colocar os pneus duros, a corrida tomou outro rumo.
Como já é sabido, Massa tem sofrido em todas as corridas este ano com os pneus mais duros. Alonso, pelo estilo de pilotagem limpo, porém rápido, consegue melhor aquecimento e gasta menos os compostos. A 0.8 segundos do brasileiro e com dois retardatários à frente, Alonso aproveita o vácuo de Massa, que tira o máximo para a direita e defende a posição. Vettel, enrolado com Yamamoto, não aproveita a chance e fica para trás. Aí Alonso, como inteligente que é, começa o jogo de palavras. Nos tempos da briga com Hamilton, pela McLaren, não dava certo pelo inglês ser o mais querido pela equipe. Hoje funcionou. Claramente mais rápido, porém sem pode atacar Massa nas retas, principalmente porque o segundo setor do brasileiro era muito melhor em tempo, o engenheiro de Massa camufla a ordem de equipe e pede ao brasileiro que abra passagem. Felipe, sem responder à confirmação de entendimento da mensagem, abre.
Massa "tomou" o lugar de Barrichello como esperança de título do Brasil na F1, exceto em 2009 pelo fraco desempenho do carro. O episódio da Hungria-2009 mostra o quanto o brasileiro é determinado a correr. Neste episódio, tratou o assunto justamente como Barrichello tratava em sua época de Ferrari, obedeceu. Trabalhar em empresa tem muito disso, você acaba deixando algumas de suas convicções de lado; o famoso "engolir o sapo". Tem gente que não engole e parte para a carreira solo, geralmente abrindo uma empresa própria. No caso de Massa, poderia sim ter colocado sua condição de primeiro colocado da prova à frente e não ter cedido a posição a Alonso. Porém, duvido que tenha dinheiro suficiente para comprar uma equipe.
As ordens de equipe aconteceram este ano. Tudo bem, lembrarão que na Turquia não houve comedimento e a Red Bull pagou com a vitória. Mas, na mesma corrida, Button quase ultrapassou Hamilton justamente por mal entendimento de ordem. Chegaram a tocar rodas na reta. Pela posição no campeonato, justificar-se-ia a posição da Ferrari em solicitar a troca. Desportivamente, não. Hoje foi diferente em relação àquele famoso episódio da Áustria-2002, quando Barrichello deu a posição a Schumacher ali, na frente da torcida e do time. Massa escolheu um lugar com menos gente, porém também em uma reta. A telemetria mostrou, durante um dos vários replays, que Massa demorou pelo menos 1.5 segundo para acelerar de verdade depois do grampo.
A Ferrari provoca amor e ódio. Neste momento, os comissários de prova chamaram representantes da equipe italiana para maiores esclarecimentos na torre de controle. Pode ser que, pela primeira vez, teremos punição por jogo de equipe na F-1.